Às vezes, me pego quieta, observando o movimento, a vida dos outros - deixando a minha passar e ir. Muitas vezes, já me peguei gritando comigo mesma, dizendo "Saia dessa toca! Grite, berre! Não deixei a vida ir embora!", mas continuando apenas a observar a vida dos outros... Os amores, as felicidades, a tristeza.
Minha vida passou e eu nem me dei conta de quanto tempo eu fiquei narrando; embora não narrasse minha vida, eu narrava a dos outros. Fiquei observando que era mestre em saber o que acontecia, narrava a vida de alguém que eu nem conhecia: meu vizinho, o homem doente, a mulher chorosa, o drogado, a veterinaria e qualquer outra pessoa que cruzasse me caminho. Por tanto tempo fui narrador-observador que sabia que jamais seria tão boa narrando e vivendo os fatos - não mesmo.
Depois de mais algum tempo de reflexão, de lagrimas perdidas e muitas histórias não-minhas contadas, notei algo que mudaria o rumo dos acontecimentos. Aquela garotinha timida que eu adorava contar as histórias, aquela que não tinha rosto e não tinha nome, mas uma longa jornada já contada, que era minha heroína, notei que já a conhecia.
Ela era eu. Eu era ela.
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que amor, amay bgs
ResponderExcluirafs loki escreve super bem :(
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