domingo, 6 de setembro de 2009

Coisas que fazemos por amor

(Por L.A)
Senti um enjôo repetino - meu estômago se embrulhava.
O cheiro forte de tabaco queimado não me ajudava em nada. Queria sumir daquela festa idiota; aquilo não me fazia bem. O cheiro, aos poucos, foi se transformando em maconha queimada - e eu sabia quem era a fonte, é claro.
David fumava seu baseado sossegadamente, com o corpo acomodado no chão. Vê-lo daquele jeito me fez esquecer a ânsia e, consequentemente, colocar tudo para fora. Quando terminei, fui me acomodar ao lado do David-chapado.
- Argh, apaga isso! - disse, tossindo.
- Vai embora, Sophie - ele resmungou.
Tirei o cigarro decadente de seus dedos e joguei-o no chão, logo depois pisando-o. Ouvi um gemido insatisfeito de David e ele sentou corretamente ao meu lado.
- Era meu último, Soph - comentou, novamente lúcido.
- Mas que droga, Dav, você tem que parar com isso! - protestei.
- Eu tava agitado. Você sabe como esse troço me acalma, Sophie - ele miou uma justificativa. Reprimi um sorriso - aquele era o meu David.
- Isto não é brinquedo, baby. Não estou disposta à te perder por "esse troço" - continuei com a bronca.
- Afe, cala boca, Soph! - ele berrou.
O olhei assustada. Senti as lágrimas molharem meus olhos.
- Não, desculpa - se apressou a dizer. - Desculpe, me exaltei. Eu te amo - completou, beijando o topo da minha testa.
- Eu também, Dav, e é por isso que eu me importo - me justifiquei.
- Me desculpa, mas eu sou assim, Soph. Eu sou um desgraçado de um drogado, te magôo e não lhe apoio sempre. Droga, eu sou um verme. E você me atura.
- Eu te amo, não posso evitar. E você não é um verme. Aliás, acredito que você parará de usar drogas, acredito em você.
O vi sorrir enquanto afagava meus cabelos.
- Uau, você me deu algo para acreditar - comentou, olhando as estrelas no céu.
Sorri bobamente. Com todo aquele papo me sentia nova - como se não tivesse passado mal à menos de 30 minutos.
- Você me dá forças, Sophie. Às vezes, até parece que eu a roubo de você - ele murmurou pensativo. Então, virou seu rosto e me beijou.
Deixei outro sorriso bobo nos lábios antes de lhe responder.
- Ah, são as coisas que fazemos por amor

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